Entenda o que é violência obstétrica e como denunciar

Ficar restrita ao leito e ocitocina sintética (“sorinho”)
aplicado rotineiramente são dois exemplos de VO.
Fonte da imagem: acritica.uol.com.br
Você sabia que nessa semana, no dia 25 de novembro, celebra-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher, instituído em 1999 pela Organização das Nações Unidas (ONU)? 

E que entre tantas formas de abuso e violência contra a mulher existe a violência obstétrica (VO)?

Mas o que é Violência Obstétrica?

“A violência obstétrica é o desrespeito à mulher, seu corpo e seus processos reprodutivos. Isso acontece através de tratamento desumano, transformação de processos naturais do parto em doença ou abuso da medicalização, negando às mulheres a possibilidade de decidir sobre seus corpos.”
Há inúmero exemplos de VO: ameaças em caso de recusa de procedimento, realização de procedimentos invasivos (episiotomia – o “piquezinho” e aplicação de ocitocina sintética – o “sorinho”) sem explicar para que servem e pedir o consentimento da mulher, direito ao acompanhante negato etc. 
Episiotomia (“corte” ou “piquezinho”) de rotina também é VO.
Fonte da imagem: Projeto 1:4

Se não todos, mas a maioria deles derivam da falta do senso de que a mulher gestante, em trabalho de parto ou em situação de abortamento tem o direito e autonomia sobre o próprio corpo e que antes de qualquer procedimento ou intervenção ela deve ser informada com clareza e com educação (de preferência) sobre os riscos de aceitar ou recusar tais procedimentos, além das demais alternativas viáveis no momento. É dever do profissional de saúde dar essas informações e PEDIR o consentimento para quaisquer procedimentos. É direito da mulher (e de qualquer paciente, diga-se de passagem), aceitar ou recusar tais procedimentos.

Cartilha ensina a identificar e denunciar Violência Obstétrica

Capa da cartilha produzida pela
Defensoria Pública do Estado de São Paulo
Esse é um assunto delicado e sua erradicação depende de muitas fatores: atualização e humanização dos cursos de formação de profissionais da saúde que prestam assistência à mulher no período perinatal (gestação, parto e pós-parto), qualificação e reciclagem de equipes já atuantes com base em evidências científicas atualizadas, educação sexual nas escolas, pré-natal qualificado e empoderamento feminino.

Para contribuir nesse processo e auxiliar mulheres que já sofreram violência obstétrica, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo disponibiliza uma cartilha digital – Conversando sobre Violência Obstétrica – que explica de forma simples e direta o que é VO, como identificar se a pessoa viveu ou está vivenciando essa situação e, o mais importante, como denunciar e lidar com tudo isso.

Você pode ter acesso à versão PDF da cartilha clicando aqui ou nos outros links espalhados nesse texto!


Denuncie!

Para denunciar casos de violência obstétrica há diversos canais disponíveis:

  • Procure o conselho de classe (CRM, COREN) da sua região e denuncie o profissional que lhe atendeu de forma violenta.
  • Faça uma denúncia formal da Ouvidoria do serviço de saúde onde foi atendida e também na Secretaria de Saúde de seu município.
  • Outros meios:

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO 
Capital: 0800-773-4340 

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL 
Ouvidoria Geral do SUS: www.saude.gov.br
Ligue 

Central de Atendimento à Mulher: 180
Disque Saúde: 136