Parto domiciliar: saiba como se preparar para o nascimento de seu filho em casa!

Pode ser que ao cogitar ter o seu bebê em casa, o medo e a insegurança tomem conta de você. Não faltam histórias da época de nossas avós, casos de bebês ou de mulheres (ou ambos) que não sobreviveram ou sofrem até hoje com algum tipo de sequela. Algumas dessas fatalidades podem ter relação com o parto e o nascimento. O maior problema, porém, não é o local em si, mas sim as falhas na assistência, a pouca ou nenhuma tecnologia disponível.

Os tempos são outros, as informações e experiências se acumularam e, principalmente, a assistência à saúde da mulher durante a gestação se aperfeiçoou.

Os partos domiciliares são meticulosamente planejados e estruturados. São levadas em conta diversas singularidades: se a gestação é de risco habitual, se o local é adequado ao parto, se a residência fica próxima a um hospital e se a família possui um plano B, em caso de eventual emergência. O principal, porém, é se o pré-natal foi feito com cuidado e atenção ao caráter multifatorial e complexo da saúde, garantindo a segurança do binômio mãe-bebê, facilitando, assim, a assistência ao trabalho de parto.

As profissionais responsáveis pela assistência à saúde da mãe e do bebê são as enfermeiras obstetras e obstetrizes, também conhecidas como parteiras urbanas. Elas são profissionais preparadas e treinadas para atender o parto natural de baixo risco e possuem equipamento adequado para tanto. A família também pode optar pela presença de um médico neonatologista, para assistência ao bebê, bem como uma doula para o suporte físico e emocional da mulher.

Fonte da foto:
  http://vilamamifera.com/olharmamifero/o-sus-que-da-certo-parto-domiciliar-do-sofia-feldman/
Assim como em uma Casa de Parto, no parto domiciliar a assistência acontece de forma contínua, no modelo “1 para 1”, ou seja, um profissional para cada paciente. Como, geralmente, elas trabalham em dupla, ao menos duas profissionais estarão a todo tempo, sempre que necessário, conferindo sinais vitais do bebê e da mãe, garantido que qualquer problema seja sanado imediatamente.

Muito diferente do que ocorre em hospitais, onde a assistência geralmente é intermitente e cujos profissionais se revezam a todo instante, sem criar vínculo com a mulher e o bebê e, pior ainda, sem se atentar para mudanças sutis no decorrer do trabalho de parto que podem fazer a diferença em um desfecho favorável no nascimento.

Antes de optar por hospital, casa de parto ou domicílio para dar à luz seu bebê, informe-se, converse com profissionais diversos e conheça a história de famílias que já vivenciaram essas experiências. Mantenha a mente e o coração abertos para alternativas. O melhor lugar para parir é aquele em que a mulher se sente segura! E a segurança só se consolida à base de boa informação!

Empodere-se!

Rebozo: saiba o que é, para que serve e como aprender a usar no trabalho de parto!

Rebozos do Empório Materno
O rebozo do Empório Materno é produzido com tecido 100% algodão, trançado em tear manual. Nós nos inspiramos no rebozo mexicano, usado pelas mulheres como vestimenta e também como instrumento de trabalho das parteiras.

O rebozo pode ser usado por doulas, enfermeiras obstetras e obstetrizes durante o pré-natal, para fazer massagens e criar momentos de descontração entre profissional e paciente, facilitando o vínculo tão necessário para o relaxamento, entrega e segurança da mulher no momento de parir.

Pâmella Souza (Ventre Materno),

ensina a “rebozar” quadril em

workshop organizado pelo

Durante o trabalho de parto, o rebozo se torna um instrumento poderoso para, por exemplo, a mulher direcionar sua força enquanto se agarra ao tecido mantido com firmeza pela doula, marido ou outro(a) acompanhante. Uma “rebozada” nos quadris ajuda muito a relaxar e se entregar às sensações de dor e prazer causadas pela enxurrada de hormônios do amor durante o trabalho de parto.

Outras formas de utilização: a mulher pode mordê-lo (em vez de morder a mão de alguém, o que acontece com muita frequência, não é mesmo?), auxiliando no momento dos “puxos” do expulsivo; pode servir de xale, para aquecer as costas ou os pés da parturiente; apoio para a cabeça, enquanto a mulher se beneficia do alívio da dor dentro da banheira; suporte da barriga, nas posições inclinadas e de quatro apoios.

Enfim, a sua criatividade é o limite para o uso do rebozo!

IMPORTANTE: como qualquer outro instrumento ou ferramenta, o rebozo deve ser usado apenas quando se conhece as técnicas e suas possíveis consequências, positivas ou negativas! Se informe e estude antes de sair por aí “rebozando” os quadris das gestantes! Para isso, recomendamos a leitura do livro “A Técnica do Rebozo Revelada“, de Naolí Vinaver, à venda no Empório Materno!


Conheça as técnicas do rebozo
Adquira o livro no Empório Materno!

O que você precisa saber sobre parto hospitalar

O melhor lugar para parir é aquele em que a mulher se sente segura! Seja em casa de parto, na própria casa ou em um hospital… o importante é sentir-se acolhida e assistida em suas necessidades físicas e emocionais. A segurança, porém, não pode nascer de uma base tão fraca quanto uma opinião sem embasamentos. A segurança só se consolida à base de boa informação!

Independente de ser púbico ou privado, os hospitais seguem protocolos que, algumas vezes, não tem nada a ver com a saúde, mas sim com o controle do corpo (Michel Foucault que o diga) e a reprodução do padrão social de hierarquias: no topo estão os médicos, na base, a mulher. Salvo exceções, como a contratação de uma equipe particular, ao escolher dar à luz em um hospital, a mulher estará sujeita a esses procedimentos, assim como o seu bebê.

Obviamente, há casos em que alguma intervenção será necessária, como anestesia para alívio de dor, aplicação de antibiótico para evitar infecções ou uma cirurgia cesariana, nos casos mais graves.

Essas intervenções, infelizmente, se tornaram o padrão de assistência nas instituições hospitalares. São deixados de lado os aspectos emocionais, psicológicos, sociais e até fisiológicos do processo, impondo absurdos como a posição ginecológica para parir, o que dificulta a descida do bebê e abre espaço para intervenções desnecessárias como a manobra de Kristeller, fórceps e episiotomia.

Fonte da imagem: Vila Mamífera
Dar à luz em um hospital, com equipe plantonista, pode ser a única alternativa de muitas mulheres que vivem uma gestação de alto risco e não podem pagar por uma equipe particular que siga os preceitos da humanização e das evidências científicas atualizadas.

Qual é a saída então? Informação para saber como é o trabalho de parto, quais as reais necessidades e riscos de quaisquer procedimentos e, principalmente, internalizar que mesmo que sejamos leigas temos o direito de sermos informadas sobre os riscos e benefícios ao aceitar ou recusar qualquer procedimento em nós ou em nosso bebê.

Informação gera conhecimento, sana dúvidas, derruba medos! Então… informe-se e empodere-se! O seu parto e o nascimento de seu bebê são únicos e merecem ser tratados com todo o respeito e cuidado!

Parteiras urbanas! Você sabe quem são?

Os médicos obstetras não são os únicos profissionais treinados para a assistência à saúde da mulher durante a gestação e o parto. Pois sim!

As enfermeiras obstetras são formadas em enfermagem e possuem pós-gradução lato sensu em enfermagem obstétrica e as obstetrizes possuem formação superior em obstetrícia. Ambas podem cursar uma pós-graduação stricto sensu e se tornarem mestres e/ou doutoras na área.

As duas são qualificadas para acompanhar tanto o pré-natal quanto o parto de risco habitual, ou seja, quando a mulher não apresenta problemas de saúde que caracterizam as gestações de alto risco, como hipertensão, diabetes, infecções, doenças do coração e do aparelho circulatório ou cesarianas recentes.

As enfermeiras obstétricas e obstetrizes, desde o início de sua formação, acompanham e assistem partos naturais, conhecem e desenvolvem técnicas de manejo menos invasivas em caso de distócias (problemas) no decorrer do trabalho de parto. Elas têm capacitação para identificar problemas no pré-natal que, por ventura, necessitem da assitência mais específica de um médico obstetra.

No SUS, elas são responsáveis pelos Centros de Parto Normal intra e peri-hospitalares (como as Casas de Parto). Em equipes multidisciplinares, cujos profissionais entendem e respeitam as atribuições dos demais, as enfermeiras obstetras e obstetrizes desempenham importante papel, ao lado do médico obstetra, de assistência à mulher e ao bebê, No atendimento particular, elas podem formar equipes para a assistência de partos domicilares.

Informe-se e empodere-se para escolher de forma consciente os profissionais que melhor se encaixam no perfil de assistência que você busca para o seu parto!

Conheça os profissionais que podem atender partos

O modelo de assistência obstétrica brasileiro está centrado na figura do médico obstetra. É corriqueiro a família contratar um plano de saúde por conta desse momento e buscar um obstetra que acompanhe a gestação desde o começo até o nascimento do bebê. Esse modelo, infelizmente, está mostrando sinais de saturação, com médicos cobrando taxas de disponibilidade, agendamento de cesarianas eletivas sem respaldo em evidências científicas e lotação de hospitais com gestantes que nem ao menos estão em trabalho de parto, mas são internadas para induções desnecessárias. 

É urgente a revisão desse modelo e uma equipe multidisciplinar pode ser a saída para deixar de sobrecarregar médicos e hospitais. 

Você conhece os profissionais que podem te acompanhar nessa jornada? Dá uma olhadinha nesse resumo, pesquise, se informe, se empodere para o seu parto!

Obstetra – É o único profissional que tem a competência para realizar uma cirurgia no parto, em casos de emergência.

Obstetriz ou Enfermeira Obstétrica (EO) – Ambas profissionais são habilitadas para assistir às gestações e partos de risco habitual. As enfermeiras obstétricas possuem graduação em enfermagem e pós-graduação em enfermagem obstétrica, enquanto obstetrizes possuem graduação em obstetrícia. 

Parteira – As parteiras tradicionais ainda são comuns em regiões muito afastadas de centros urbanos. Não possuem formação técnica, porém têm prática e conhecimentos tradicionais para o atendimento ao parto. Como atuam em lugares muito afastados, não possuem muitos recursos para atendimento de emergências.

Neonatologista – É um médico pediatra especializado no atendimento ao recém-nascido nos primeiros minutos de vida. Pode ser do próprio hospital ou contratado pela família, para evitar procedimentos de rotina muitas vezes desnecessários, como aspiração nasal e aplicação de colírio.

Doula – Profissional que possui conhecimento da fisiologia do parto e incentiva o uso de técnicas não-farmacológicas para o alívio da dor, como posições, respirações e massagens que minimizam a dor e o incômodo das contrações, além de favorecer o parto fisiológico. Doulas não realizam procedimentos técnicos, como ausculta de batimentos cardíacos ou toque vaginal e não são habilitadas para diagnosticar possíveis intercorrências do trabalho de parto e parto, elas proporcionam apoio físico e emocional.

Empodere-se!