Dia da Doula em São Paulo!

Hoje, dia 18 de dezembro, é comemorado o Dia Estadual da Doula em São Paulo!

Uma profissão ainda pouco reconhecida mas para aquelas mulheres e famílias que tiveram a oportunidade de contar com uma doula durante a gestação, trabalho de parto e pós-parto, sabem bem a importância da presença dessa profissional em suas vidas.

Crédito: Laine Sierra

Mais do que provedoras de informações para o empoderamento, as doulas são um oásis de carinho e empatia, uma ponte que permite à mulher se reencontrar com o que é seu de mais sagrado: a sua feminilidade mamífera e a consciência de sua potência criadora não só de bebês mas de um novo paradigma da relação entre mulheres, homens e o meio que nos cerca.


Doulas não “fazem” parto, doulas fazem parte! E compartilham empatia, agregam com amorosidade, são firmes no propósito de disseminar uma sabedoria anscestral e permanente: mulheres sabem parir, bebês sabem nascer!


Um VIVA a todas as doulas!!

A equipe da Empório Materno deseja que todas tenham muita saúde física e emocional para continuar trilhando esse árduo e belo caminho. Que seus esforços sejam reconhecidos tanto no plano material, quanto no sutil.

E também desejamos que num futuro próximo toda mulher que gesta uma vida tenha a oportunidade de ser acompanhada por uma doula!

Com toda nossa admiração, parabéns e gratidão por aceitarem essa missão tão urgente e admirável!

Entenda o que é violência obstétrica e como denunciar

Ficar restrita ao leito e ocitocina sintética (“sorinho”)
aplicado rotineiramente são dois exemplos de VO.
Fonte da imagem: acritica.uol.com.br
Você sabia que nessa semana, no dia 25 de novembro, celebra-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher, instituído em 1999 pela Organização das Nações Unidas (ONU)? 

E que entre tantas formas de abuso e violência contra a mulher existe a violência obstétrica (VO)?

Mas o que é Violência Obstétrica?

“A violência obstétrica é o desrespeito à mulher, seu corpo e seus processos reprodutivos. Isso acontece através de tratamento desumano, transformação de processos naturais do parto em doença ou abuso da medicalização, negando às mulheres a possibilidade de decidir sobre seus corpos.”
Há inúmero exemplos de VO: ameaças em caso de recusa de procedimento, realização de procedimentos invasivos (episiotomia – o “piquezinho” e aplicação de ocitocina sintética – o “sorinho”) sem explicar para que servem e pedir o consentimento da mulher, direito ao acompanhante negato etc. 
Episiotomia (“corte” ou “piquezinho”) de rotina também é VO.
Fonte da imagem: Projeto 1:4

Se não todos, mas a maioria deles derivam da falta do senso de que a mulher gestante, em trabalho de parto ou em situação de abortamento tem o direito e autonomia sobre o próprio corpo e que antes de qualquer procedimento ou intervenção ela deve ser informada com clareza e com educação (de preferência) sobre os riscos de aceitar ou recusar tais procedimentos, além das demais alternativas viáveis no momento. É dever do profissional de saúde dar essas informações e PEDIR o consentimento para quaisquer procedimentos. É direito da mulher (e de qualquer paciente, diga-se de passagem), aceitar ou recusar tais procedimentos.

Cartilha ensina a identificar e denunciar Violência Obstétrica

Capa da cartilha produzida pela
Defensoria Pública do Estado de São Paulo
Esse é um assunto delicado e sua erradicação depende de muitas fatores: atualização e humanização dos cursos de formação de profissionais da saúde que prestam assistência à mulher no período perinatal (gestação, parto e pós-parto), qualificação e reciclagem de equipes já atuantes com base em evidências científicas atualizadas, educação sexual nas escolas, pré-natal qualificado e empoderamento feminino.

Para contribuir nesse processo e auxiliar mulheres que já sofreram violência obstétrica, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo disponibiliza uma cartilha digital – Conversando sobre Violência Obstétrica – que explica de forma simples e direta o que é VO, como identificar se a pessoa viveu ou está vivenciando essa situação e, o mais importante, como denunciar e lidar com tudo isso.

Você pode ter acesso à versão PDF da cartilha clicando aqui ou nos outros links espalhados nesse texto!


Denuncie!

Para denunciar casos de violência obstétrica há diversos canais disponíveis:

  • Procure o conselho de classe (CRM, COREN) da sua região e denuncie o profissional que lhe atendeu de forma violenta.
  • Faça uma denúncia formal da Ouvidoria do serviço de saúde onde foi atendida e também na Secretaria de Saúde de seu município.
  • Outros meios:

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO 
Capital: 0800-773-4340 

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL 
Ouvidoria Geral do SUS: www.saude.gov.br
Ligue 

Central de Atendimento à Mulher: 180
Disque Saúde: 136 











Parto domiciliar: saiba como se preparar para o nascimento de seu filho em casa!

Pode ser que ao cogitar ter o seu bebê em casa, o medo e a insegurança tomem conta de você. Não faltam histórias da época de nossas avós, casos de bebês ou de mulheres (ou ambos) que não sobreviveram ou sofrem até hoje com algum tipo de sequela. Algumas dessas fatalidades podem ter relação com o parto e o nascimento. O maior problema, porém, não é o local em si, mas sim as falhas na assistência, a pouca ou nenhuma tecnologia disponível.

Os tempos são outros, as informações e experiências se acumularam e, principalmente, a assistência à saúde da mulher durante a gestação se aperfeiçoou.

Os partos domiciliares são meticulosamente planejados e estruturados. São levadas em conta diversas singularidades: se a gestação é de risco habitual, se o local é adequado ao parto, se a residência fica próxima a um hospital e se a família possui um plano B, em caso de eventual emergência. O principal, porém, é se o pré-natal foi feito com cuidado e atenção ao caráter multifatorial e complexo da saúde, garantindo a segurança do binômio mãe-bebê, facilitando, assim, a assistência ao trabalho de parto.

As profissionais responsáveis pela assistência à saúde da mãe e do bebê são as enfermeiras obstetras e obstetrizes, também conhecidas como parteiras urbanas. Elas são profissionais preparadas e treinadas para atender o parto natural de baixo risco e possuem equipamento adequado para tanto. A família também pode optar pela presença de um médico neonatologista, para assistência ao bebê, bem como uma doula para o suporte físico e emocional da mulher.

Fonte da foto:
  http://vilamamifera.com/olharmamifero/o-sus-que-da-certo-parto-domiciliar-do-sofia-feldman/
Assim como em uma Casa de Parto, no parto domiciliar a assistência acontece de forma contínua, no modelo “1 para 1”, ou seja, um profissional para cada paciente. Como, geralmente, elas trabalham em dupla, ao menos duas profissionais estarão a todo tempo, sempre que necessário, conferindo sinais vitais do bebê e da mãe, garantido que qualquer problema seja sanado imediatamente.

Muito diferente do que ocorre em hospitais, onde a assistência geralmente é intermitente e cujos profissionais se revezam a todo instante, sem criar vínculo com a mulher e o bebê e, pior ainda, sem se atentar para mudanças sutis no decorrer do trabalho de parto que podem fazer a diferença em um desfecho favorável no nascimento.

Antes de optar por hospital, casa de parto ou domicílio para dar à luz seu bebê, informe-se, converse com profissionais diversos e conheça a história de famílias que já vivenciaram essas experiências. Mantenha a mente e o coração abertos para alternativas. O melhor lugar para parir é aquele em que a mulher se sente segura! E a segurança só se consolida à base de boa informação!

Empodere-se!

O que você precisa saber sobre parto hospitalar

O melhor lugar para parir é aquele em que a mulher se sente segura! Seja em casa de parto, na própria casa ou em um hospital… o importante é sentir-se acolhida e assistida em suas necessidades físicas e emocionais. A segurança, porém, não pode nascer de uma base tão fraca quanto uma opinião sem embasamentos. A segurança só se consolida à base de boa informação!

Independente de ser púbico ou privado, os hospitais seguem protocolos que, algumas vezes, não tem nada a ver com a saúde, mas sim com o controle do corpo (Michel Foucault que o diga) e a reprodução do padrão social de hierarquias: no topo estão os médicos, na base, a mulher. Salvo exceções, como a contratação de uma equipe particular, ao escolher dar à luz em um hospital, a mulher estará sujeita a esses procedimentos, assim como o seu bebê.

Obviamente, há casos em que alguma intervenção será necessária, como anestesia para alívio de dor, aplicação de antibiótico para evitar infecções ou uma cirurgia cesariana, nos casos mais graves.

Essas intervenções, infelizmente, se tornaram o padrão de assistência nas instituições hospitalares. São deixados de lado os aspectos emocionais, psicológicos, sociais e até fisiológicos do processo, impondo absurdos como a posição ginecológica para parir, o que dificulta a descida do bebê e abre espaço para intervenções desnecessárias como a manobra de Kristeller, fórceps e episiotomia.

Fonte da imagem: Vila Mamífera
Dar à luz em um hospital, com equipe plantonista, pode ser a única alternativa de muitas mulheres que vivem uma gestação de alto risco e não podem pagar por uma equipe particular que siga os preceitos da humanização e das evidências científicas atualizadas.

Qual é a saída então? Informação para saber como é o trabalho de parto, quais as reais necessidades e riscos de quaisquer procedimentos e, principalmente, internalizar que mesmo que sejamos leigas temos o direito de sermos informadas sobre os riscos e benefícios ao aceitar ou recusar qualquer procedimento em nós ou em nosso bebê.

Informação gera conhecimento, sana dúvidas, derruba medos! Então… informe-se e empodere-se! O seu parto e o nascimento de seu bebê são únicos e merecem ser tratados com todo o respeito e cuidado!

Parteiras urbanas! Você sabe quem são?

Os médicos obstetras não são os únicos profissionais treinados para a assistência à saúde da mulher durante a gestação e o parto. Pois sim!

As enfermeiras obstetras são formadas em enfermagem e possuem pós-gradução lato sensu em enfermagem obstétrica e as obstetrizes possuem formação superior em obstetrícia. Ambas podem cursar uma pós-graduação stricto sensu e se tornarem mestres e/ou doutoras na área.

As duas são qualificadas para acompanhar tanto o pré-natal quanto o parto de risco habitual, ou seja, quando a mulher não apresenta problemas de saúde que caracterizam as gestações de alto risco, como hipertensão, diabetes, infecções, doenças do coração e do aparelho circulatório ou cesarianas recentes.

As enfermeiras obstétricas e obstetrizes, desde o início de sua formação, acompanham e assistem partos naturais, conhecem e desenvolvem técnicas de manejo menos invasivas em caso de distócias (problemas) no decorrer do trabalho de parto. Elas têm capacitação para identificar problemas no pré-natal que, por ventura, necessitem da assitência mais específica de um médico obstetra.

No SUS, elas são responsáveis pelos Centros de Parto Normal intra e peri-hospitalares (como as Casas de Parto). Em equipes multidisciplinares, cujos profissionais entendem e respeitam as atribuições dos demais, as enfermeiras obstetras e obstetrizes desempenham importante papel, ao lado do médico obstetra, de assistência à mulher e ao bebê, No atendimento particular, elas podem formar equipes para a assistência de partos domicilares.

Informe-se e empodere-se para escolher de forma consciente os profissionais que melhor se encaixam no perfil de assistência que você busca para o seu parto!

Conheça os profissionais que podem atender partos

O modelo de assistência obstétrica brasileiro está centrado na figura do médico obstetra. É corriqueiro a família contratar um plano de saúde por conta desse momento e buscar um obstetra que acompanhe a gestação desde o começo até o nascimento do bebê. Esse modelo, infelizmente, está mostrando sinais de saturação, com médicos cobrando taxas de disponibilidade, agendamento de cesarianas eletivas sem respaldo em evidências científicas e lotação de hospitais com gestantes que nem ao menos estão em trabalho de parto, mas são internadas para induções desnecessárias. 

É urgente a revisão desse modelo e uma equipe multidisciplinar pode ser a saída para deixar de sobrecarregar médicos e hospitais. 

Você conhece os profissionais que podem te acompanhar nessa jornada? Dá uma olhadinha nesse resumo, pesquise, se informe, se empodere para o seu parto!

Obstetra – É o único profissional que tem a competência para realizar uma cirurgia no parto, em casos de emergência.

Obstetriz ou Enfermeira Obstétrica (EO) – Ambas profissionais são habilitadas para assistir às gestações e partos de risco habitual. As enfermeiras obstétricas possuem graduação em enfermagem e pós-graduação em enfermagem obstétrica, enquanto obstetrizes possuem graduação em obstetrícia. 

Parteira – As parteiras tradicionais ainda são comuns em regiões muito afastadas de centros urbanos. Não possuem formação técnica, porém têm prática e conhecimentos tradicionais para o atendimento ao parto. Como atuam em lugares muito afastados, não possuem muitos recursos para atendimento de emergências.

Neonatologista – É um médico pediatra especializado no atendimento ao recém-nascido nos primeiros minutos de vida. Pode ser do próprio hospital ou contratado pela família, para evitar procedimentos de rotina muitas vezes desnecessários, como aspiração nasal e aplicação de colírio.

Doula – Profissional que possui conhecimento da fisiologia do parto e incentiva o uso de técnicas não-farmacológicas para o alívio da dor, como posições, respirações e massagens que minimizam a dor e o incômodo das contrações, além de favorecer o parto fisiológico. Doulas não realizam procedimentos técnicos, como ausculta de batimentos cardíacos ou toque vaginal e não são habilitadas para diagnosticar possíveis intercorrências do trabalho de parto e parto, elas proporcionam apoio físico e emocional.

Empodere-se!