Pós-parto: como lidar com o baby blues!

Os dias que se seguem ao parto são carregados de uma explosão hormonal, dúvidas e anseios que podem pegar desprevenida qualquer mãe, até mesmo as que já tiveram filhos ou as mais empoderadas.

Fonte da foto: saudeinfantil.blog.br

O baby blues, uma melancolia que pode acometer grande parte de mães recém­ nascidas, não é um assunto muito comentado, porque a cobrança para que a mãe ame seu bebê e cuide dele é tamanha que a mulher não vê espaço para compartilhar suas queixas e emoções mais secretas. E tudo aquilo que não compartilhamos acaba crescendo em nós: a culpa, o medo, a raiva, sentimentos difusos em relação ao bebê, a dor por não ter parido (se passou por uma cesárea) e os desconfortos dos primeiros dias de amamentação .


Não é depressão pós­-parto, mas pode se transformar em uma, se a devida atenção não for dada. Seus sintomas podem aparecer entre o 3o e 5o dia após o parto e são os seguintes: ­ Dificuldade para dormir bem; ­ Choro excessivo, inclusive por pequenas coisas; ­ Mudanças de humor repentinas; ­ Irritabilidade; ­ Sentimentos de inadequação; ­ Sentir como se “não fosse mais ela mesma”.
Amamentar em livre demanda, contato pele a pele com o bebê e contar com uma rede de apoio que cuide da mãe enquanto ela cuida de seu filho pode amenizar essa melancolia! E compartilhar a dor, ser ouvida e acolhida com empatia por pessoas que já viveram o mesmo e podem dizer com propriedade que tudo vai passar!

Os grupos de apoio ao parto geralmente organizam encontros para conversar sobre puerpério! Encontre um deles, saia de casa, leve o bebê para passear, conheça uma comunidade que sabe o que você está vivendo e, com certeza, poderá te ajudar a superar todas as dificuldades!

E um presente: um vídeo lindo da Casa Moara, com frases de mães para mães sobre as belezas e sombras da maternidade!

Lua de leite: dicas de como lidar com o pós-parto

O empoderamento materno e familiar começa na gestação ou antes dela e diz respeito à garantia de direitos, segurança, tranquilidade, saúde, bem-estar físico, psicológico e social da gestante e do bebê!

Todo esse cuidado independe da via e do local do parto. Em todos os casos, a questão do pós-parto deve estar no topo da lista de prioridades da nova família que se empodera. É preciso se preparar e preparar a todos os familiares e amigos para a “Lua de Leite”, que se inicia no primeiro minuto de vida do bebê e se estende até o primeiro mês, período vital para o estabelecimento da amamentação em livre demanda preconizada pelo OMS, além de essencial para o fortalecimento do vínculo mãe-bebê.

Infelizmente, familiares e amigos acreditam que não há mal algum em visitar a família recém-nascida ainda no hospital ou mesmo na primeira semana em casa. Mas isso acaba atrapalhando, e muito, esses momentos decisivos.

Que tal visitarmos as famílias recém-nascidas somente após o primeiro mês de vida do bebê? E ligar antes para avisar, oferecendo ajuda com qualquer coisa que não seja ficar segurando o bebê enquanto a mãe prepara o chazinho da tarde e lava a louça depois?

Reproduzimos aqui algumas dicas do blog A mãe que quero ser de como se preparar para esse momento e como avisar os mais próximos que você precisa de privacidade para a sua Lua de Leite! 

Fonte da foto: Blog – A mãe que quero ser
Antes do nascimento:

  • deixe refeições congeladas ou organize-se para que você não tenha que pensar em preparar ou comprar comida;
  • mande um e-mail para  amigos e parentes explicando o desejo de ficar a sós com o bebê no período de x dias após o nascimento, explicando os motivos, se quiser (inspire-se no modelo abaixo);
  • combine com a equipe médica (incluindo o pediatra!) que você faz questão do contato pele a pele e da amamentação na primeira hora de vida (se precisar de respaldo, lhes envie este link);
  • crie ou fortaleça sua rede de apoio – isto é, aquelas pessoas próximas, que respeitam o seu desejo e entendem a delicadeza do pós-parto, com quem você poderá contar para ir ao mercado, passar na farmácia, limpar sua casa, e que também estejam dispostas a ouvir sem julgar, dar um ombro para você chorar e fazer carinho quando mais precisa.




Na maternidade:

  • fique em contato pele a pele com o bebê assim que ele nascer (antes de medir, pesar etc.);
  • permita que ele inicie a amamentação no tempo dele, antes de ser tirado do seu colo;
  • atrase o primeiro banho (acredite: o cheiro de um recém-nascido é algo que só pode ser comparado ao néctar dos deuses);
  • faça alojamento conjunto (i.e. evite o berçário);
  • deixe o seu companheiro/ acompanhante com a tarefa de ser o guardião da lua de leite – isto é, de proteger você e o bebê de serem separados, de evitar os protocolos do hospital que interferem na amamentação (complemento e bicos artificiais, por exemplo), de “barrar” visitas que não vão agregar.



Em casa:

  • fique peladona da cintura pra cima, com o bebê só de fralda ou pelado;
  • cheire a cria (lamber também vale!);
  • de novo, deixe o maridão ou outra pessoa da rede de apoio responsável por todo que envolve o mundo externo: telefonemas, tarefas domésticas, compras etc.
  • permita-se sentir, deixe as emoções fluírem;
  • tenha em mãos o telefone de uma doula pós-parto ou consultora de amamentação ou banco de leite, caso o bicho pegue;
  • confie… É punk, é enlouquecedor às vezes, mas é assim mesmo. Você sobreviverá.

      Extero-gestação: por que os bebês são dependentes de nós?

      Você já fez o “check list”: fralda limpa, banho tomado, barriguinha cheia. Mesmo assim, o bebê chora muito, aparentemente sem motivo! Talvez a teoria da extero-gestação possa te ajudar nessa busca por entender porque o seu bebê está dando sinais de desconforto.

      Essa teoria está embasada numa premissa muitas vezes esquecida por nós: somos mamíferos. E temos o cérebro desproporcionalmente maior em relação ao corpo, comparando com outros mamíferos. Por isso os filhotes humanos nascem “antes do tempo” e não chegam ao mundo completamente formados, do contrário não haveria espaço suficiente no canal de parto para a passagem da cabeça do bebê. 


      Isso quer dizer que a gestação dos filhotes humanos continua fora do útero por pelo menos mais 3 meses, período em que se faz necessário reproduzir aqui fora o ambiente uterino (o calor, o balanço, o barulho etc.). 

      Espia só esse texto do blog “Maternar Consciente” a respeito da extero-gestação! Quem sabe não te ajude a entender melhor o choro do seu bebê?! 

      Conheça os profissionais que podem atender partos

      O modelo de assistência obstétrica brasileiro está centrado na figura do médico obstetra. É corriqueiro a família contratar um plano de saúde por conta desse momento e buscar um obstetra que acompanhe a gestação desde o começo até o nascimento do bebê. Esse modelo, infelizmente, está mostrando sinais de saturação, com médicos cobrando taxas de disponibilidade, agendamento de cesarianas eletivas sem respaldo em evidências científicas e lotação de hospitais com gestantes que nem ao menos estão em trabalho de parto, mas são internadas para induções desnecessárias. 

      É urgente a revisão desse modelo e uma equipe multidisciplinar pode ser a saída para deixar de sobrecarregar médicos e hospitais. 

      Você conhece os profissionais que podem te acompanhar nessa jornada? Dá uma olhadinha nesse resumo, pesquise, se informe, se empodere para o seu parto!

      Obstetra – É o único profissional que tem a competência para realizar uma cirurgia no parto, em casos de emergência.

      Obstetriz ou Enfermeira Obstétrica (EO) – Ambas profissionais são habilitadas para assistir às gestações e partos de risco habitual. As enfermeiras obstétricas possuem graduação em enfermagem e pós-graduação em enfermagem obstétrica, enquanto obstetrizes possuem graduação em obstetrícia. 

      Parteira – As parteiras tradicionais ainda são comuns em regiões muito afastadas de centros urbanos. Não possuem formação técnica, porém têm prática e conhecimentos tradicionais para o atendimento ao parto. Como atuam em lugares muito afastados, não possuem muitos recursos para atendimento de emergências.

      Neonatologista – É um médico pediatra especializado no atendimento ao recém-nascido nos primeiros minutos de vida. Pode ser do próprio hospital ou contratado pela família, para evitar procedimentos de rotina muitas vezes desnecessários, como aspiração nasal e aplicação de colírio.

      Doula – Profissional que possui conhecimento da fisiologia do parto e incentiva o uso de técnicas não-farmacológicas para o alívio da dor, como posições, respirações e massagens que minimizam a dor e o incômodo das contrações, além de favorecer o parto fisiológico. Doulas não realizam procedimentos técnicos, como ausculta de batimentos cardíacos ou toque vaginal e não são habilitadas para diagnosticar possíveis intercorrências do trabalho de parto e parto, elas proporcionam apoio físico e emocional.

      Empodere-se!